Hoje chamo-to, quem quer
que tu sejas, ou seja qual for a tua idade ou a tua condição de via.
Eu quero aproximar-te de Min... olha-Me bem.
Sobre estas duas traves de
madeira, cruzadas entre o céu e a terra Eu, o Deus-Humanado, moro na
carne por causa do Meu grande amor por ti.
Nenhum outro motivo
poderia incentivar-Me a chegar até a este ponto de orrer por ti. Se
tivesse proferido a Minha vida à tua, jamais teria consentido a que Me
torturassem assim. Queres saber porque é que Eu cheguei até lá? Foi para
mostrar-te o Meu rosto, e te dizer quem Eu sou realmente, e te dar a
prova de que Eu não sou um tirano.
Eu sou
humilde e tão manso e não sou um soberano absoluto que quer dominar
tudo. O amor é o Meu único poder. Olha bem para os Meus braços na cruz;
eles convidam-te a acolheres-Me de braços abertos. Não tenhas medo. Eu
estou completamente desarmado. Eu nã tenho nada que te magoe. Crês tu
que Eu queira vingar-Me ou descer da cruz para te esmagar ou força-te a
amar-Me? Eu nunca ousarei servir-me do Meu poder para te dominar. Eu não
vim senão para te servir, para te amar e realizar a tua felicidade. A
Minha omnipotência está no amor e o Meu amor não pode forcar-te a
amares-Me. O Meu amor respeita ao máximo a tua liberdade.
Tu podes
fazer de Mim o que quiseres. Mas Eu, não posso fazer de ti não importa o
quê. Eu não quero senão amar-te. Tu podes bater-Me, cuspir-Me,
humilhar-Me tantas vezes que tu queiras. Mas isso jamais Me fará impedir
de te amar. Não Me peças que te ame menos ou doutra forma. Está na Minha
natureza de te amar assim tão loucamente, pois Eu não te amo somente com
um amor humano mas sim, com um amor divino e eterno.
Diz-me:
até quando vais duvidar do Meu amor e resistir Minha termura. Eu quero a
tua felicidade. Mas tu, o que ganhas em fazeres-Me sofrer? Sabes que é o
poder da tua vontade que Me trespassa as mãos, o teu orgulho que Me
coroa a cabeça de espinhos, o teu apetite desordenado do prazer que Me
flagela o corpo da cabeça aos pés; é o teu amor próprio que Me perfura o
coração, a tua vontade próprio que Me trespassa os pés, a tua sede de
independência que Me crava na cruz, e é a tua alma deseperada que Me dá
uma sede terrivel.
O que
queres que Eu faça mais por ti? A Minha pobreza chegou ao extremo. Eu
dei-te todo o Meu Corpo e todo o Meu Sangue. Eu conheci o abandono de
Meu Pai. O que esperas, então, para te deixares amar e salvar por Mim?
Se fosse necessário, Eu consentiria mil vezes em recomeçar a Minha
Paixão por ti. Se tu queres a todo o custo um fundamento para a tua fé,
Eu posso revelar-te melhor o que é a Minha Ressurreição.
Este acontecimento é a garantia de que o Meu amor é mais forte do que o
mal, o sofrimento e a morte. E, se tu ainda duvidas, que Eu ressuscitei,
posso dar-te não uma prova, mas melhor do que isso, «o testemunho dos
Meus Apóstolos que viram o túmulo vazio». É um testemunho bem superior
ao dos soldados romanos que afirmaram terem dormido e, durante o seu
sono, os discipulos vieram roubar o Meu corpo. Tem como certo que, a
Minha Ressurreição não está fundamentada em testemunhas adormecidas. Ela
repousa sobre a fé dos discípulos bem despertos que Me viram aparecer, a
comer e a beber com eles, preferindo ser martirizados do que renegar o
seu testemunho.
Com efeito, ninguém os pôde impedir durante toda a sua vida de proclamar
diante do mundo inteiro que Eu verdadeiramente ressuscitei, que Eu estou
vivo para sempre e que virei um dia na glória para julgar os vivos e os
mortos